Bugigangas poetadas


Ó Dona salada,
o que é hoje o jantar?

Tomate de carvão,
Cebola de cordel,
Alface de borracha,
Pimento de papel,
Pepino de sabão,
Vinagre de acetato,
Pimenta no palato,
Azeite de tinta azul,
E sal do Mar do Sul!


BLAUHAI*

Porque me pediram. Mas só por isso.

Hoje sou branco-Paz…

Sei que estás dentro de mim.
Sinto-te.
Procuro na Alma todas as respostas.
Encontro-as.
Afogo-me no silêncio da tranquilidade.
Absorvo-a.
Mergulho na pureza das causas nobres.
Defendo-as.
Corto de vez com o feitiço das trevas…
Abandono-o.
Escondo-me num mundo secreto.
Encontro-me.
Voo com as asas de um anjo.
Liberto-me.

Hoje sou branco-Paz.
Hoje sou livre…


BLAUHAI*

Depois da sua ausência demorada,
Decidi fugir.
Não conseguia viver mais na cidade
Onde o conhecera.
Não me imaginava a passar
Pelas ruas onde passeara com ele.
Fui à estação e pedi um bilhete só de ida,
Para qualquer parte.
Cheguei lá de madrugada;
A um sítio sem nome.
Tudo era pardacento naquela pequena vila.
Vila fosca,
Pestilenta,
Tingida de escuridão,
Enrouquecida pelo fumo do tabaco preto.
Vi aranhas, gatos, baratas, moscas
E gafanhotos-do-campo cor de carvão.
Odeio gafanhotos!
As miseráveis ruas invadiram-se…
Contrabandistas bêbedos!
Putas vadias!
Comerciantes corruptos!
Viúvas esmagadas pelo Fado!
Mendigos pedantes!
Ladrões de bibliotecas!
Fugi.
Regressei convicta da minha sorte.
Fiz bem. Aqui estou melhor.
O meu Céu não é de chumbo…

BLAUHAI*

Sempre ouvi dizer que achar botões dá sorte. Mas um dia destes ouvi murmurar que, de acordo com uma velha lenda, as pessoas devem fazer pulseiras com botões que lhes foram oferecidos. E parece que, enquanto a pulseira for usada, a amizade não pode ser quebrada…
Com os botões que nos são oferecidos?
Estranho. Nunca pensei que alguém se lembrasse de oferecer botões! A mim sempre me ofereceram livros, perfumes, roupa, chocolates… e essas coisas. Botões: nunca!


Caíram do céu
Botões de 1000 cores;
Seriam chuviscos perdidos de amores?

Vieram aranhas,
Trouxeram os fios,
Com latas de tinta, a vida tingiu-os.

Correntes de rios,
Vindas do sem-fim,
Repletas de cor, esperam por mim.

BLAUHAI*

H…

Hoje sou um H mudo.
É assim que EU me sinto: uma letra sem som.
GRITO, mas o Mundo não me ouve.
Alguém se digna a ouvir-me?
Não. O mundo não é surdo.
Pode ser cego e mudo, mas surdo não é.
Precisava de quebrar este silêncio ensurdecedor.
Mas ninguém me ouve.

Hoje, sou só mais um H…

BLAUHAI*