Neste Verão, tão calorosamente infernal e pegajosamente crepuscular, que só agora teima em dar a real cara, os romances mal vividos diluem-se como semi-frios de framboesa esquecidos entre conversas e novidades relatadas entre amigos ou em família nas animadas tardes de Domingo.
Nos corações plenos de paixões, os extremos da nossa humana representação amorosa tocam-se: os cautelosos amor e o ódio circulam pela direita, de mãos dadas, quase-inseparáveis, não fossem eles sustentados pelo desejo. O amor quer continuidade; o ódio não deixa. É o querer muito e a indecisão que habita o não querer. A culpa é do Setembro, que se lembrou de aparecer qual Primavera revolucionária. O mês tenta a custo dar ares de estação incipiente e doce. Começa um ciclo que não terminou, porque não se completou ainda, por si mesmo. Nunca se completa totalmente. Funde-se com o que há-de vir…
Ao amor e ao ódio, o desejo não os abandona; não. O Agosto acaba, mas o Verão e o desejo não. O desejo está no centro do duelo entre o love e o hate. Por esses espaços mundanos, os corações e as mentes conversadoras perguntam-se: o desejo, um privilégio? Diz-se que sim e diz-se que não. Conclui-se que não, não é. Seria, se não tivesse tantas irregularidades como adversárias: a distância, o tempo, as mudanças…
Amor e ódio convergem no apreço pela coerência. O amor aprecia a coerência entre as palavras ditas e os actos sentidos; o ódio cultiva a coerência do raciocínio lógico. O amor vive da emoção e o ódio da razão. Como a indecisão paira, o coração contenta-se com o “é possível porque sim” e o “não é possível porque não“. Pouco haverá a fazer.
E no final, não há ódio nem amor. Há e haverá desejo…

BLAUHAI*