Reflexões


Hoje sou branco-Paz…

Sei que estás dentro de mim.
Sinto-te.
Procuro na Alma todas as respostas.
Encontro-as.
Afogo-me no silêncio da tranquilidade.
Absorvo-a.
Mergulho na pureza das causas nobres.
Defendo-as.
Corto de vez com o feitiço das trevas…
Abandono-o.
Escondo-me num mundo secreto.
Encontro-me.
Voo com as asas de um anjo.
Liberto-me.

Hoje sou branco-Paz.
Hoje sou livre…


BLAUHAI*

Depois da sua ausência demorada,
Decidi fugir.
Não conseguia viver mais na cidade
Onde o conhecera.
Não me imaginava a passar
Pelas ruas onde passeara com ele.
Fui à estação e pedi um bilhete só de ida,
Para qualquer parte.
Cheguei lá de madrugada;
A um sítio sem nome.
Tudo era pardacento naquela pequena vila.
Vila fosca,
Pestilenta,
Tingida de escuridão,
Enrouquecida pelo fumo do tabaco preto.
Vi aranhas, gatos, baratas, moscas
E gafanhotos-do-campo cor de carvão.
Odeio gafanhotos!
As miseráveis ruas invadiram-se…
Contrabandistas bêbedos!
Putas vadias!
Comerciantes corruptos!
Viúvas esmagadas pelo Fado!
Mendigos pedantes!
Ladrões de bibliotecas!
Fugi.
Regressei convicta da minha sorte.
Fiz bem. Aqui estou melhor.
O meu Céu não é de chumbo…

BLAUHAI*

‘Alguém’ me lançou esta espécie de desafio.
E eu estou aqui para responder.
Cá vai, então.


Se eu fosse…

Se eu fosse uma hora do dia, seria uma madrugada de Outono.
Se eu fosse um astro, seria… o senhor Sol.
Se eu fosse um planeta, seria Marte.
Se eu fosse uma direcção, seria… o caminho para o infinito?!
Se eu fosse um móvel, seria… uma cadeira forrada de veludo vermelho!
Se eu fosse um líquido, seria… limonada granizada.
Se eu fosse uma personagem histórica, seria o D. Manuel I.
Se eu fosse um meio de transporte, seria um Airbus A380.
Se eu fosse um pecado, seria… a luxúria, talvez. Não podem ser 3?!
Se eu fosse uma pedra, seria… uma safira.
Se eu fosse uma árvore, seria… uma macieira.
Se eu fosse uma fruta, seria… um ananás.
Se eu fosse uma flor, seria… uma estrelícia.
Se eu fosse um clima, seria… exageradamente tropical.
Se eu fosse um instrumento musical, seria… uma guitarra portuguesa.
Se eu fosse um elemento, seria… a prata, claro.
Se eu fosse uma cor, seria… o branco, o rosa ou o encarnado! Escolha difícil!
Se eu fosse um animal, seria… um tubarão azul.
Se eu fosse uma ave, seria uma avestruz.
Se eu fosse um som, seria… o da trovoada.
Se eu fosse música, seria… o Unitended, dos Muse.
Se eu fosse estilo musical, seria… definitivamente uma mistura entre rock e house.
Se eu fosse um valor, seria a Justiça.
Se eu fosse um sentimento, seria… a emoção.
Se eu fosse um livro, seria… uma pilha deles! Posso fazer a lista?!
Se eu fosse uma comida, seria… uma pratada de paella.
Se eu fosse um lugar, seria… uma ilha (algures) no meio do Mediterrâneo.
Se eu fosse um gosto, seria … exoticamente picante.
Se eu fosse um cheiro, seria… um odor floral.
Se eu fosse uma palavra ou expressão, seria… um sonho adiado.
Se eu fosse um verbo, seria… o verbo pensar.
Se eu fosse um objecto, seria… um livro de memórias.
Se eu fosse um desporto, seria… o futebol.
Se eu fosse um monumento, seria… a Torre de Belém.
Se eu fosse um edifício, certamente seria… a Catedral!
Se eu fosse peça de roupa, seria… uma t-shirt.
Se eu fosse parte do corpo, seria… a retina.
Se eu fosse expressão facial, seria… a ironia.
Se eu fosse personagem de desenho animado, seria… a Mafalda.
Se eu fosse filme, seria… The Hours.
Se eu fosse forma, seria… um triângulo isósceles.
Se eu fosse número, seria… o number 7.
Se eu fosse estação, seria… o Verão.
Se eu fosse uma frase, seria …

“O sábio procura a verdade; o tonto pensa que a encontrou”,
Blaise Pascal

Se eu fosse?!
Por acaso, até sou…

O Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago… por exemplo.

BLAUHAI*

E não vou passar (o desafio) a ninguém. Porque não.

H…

Hoje sou um H mudo.
É assim que EU me sinto: uma letra sem som.
GRITO, mas o Mundo não me ouve.
Alguém se digna a ouvir-me?
Não. O mundo não é surdo.
Pode ser cego e mudo, mas surdo não é.
Precisava de quebrar este silêncio ensurdecedor.
Mas ninguém me ouve.

Hoje, sou só mais um H…

BLAUHAI*

Hoje andava aqui por casa a (tentar) arrumar as pilhas de livros que tenho espalhadas por aí! Encontrei uma velha oração irlandesa manuscrita. Apeteceu-me publicá-la aqui. Pensei traduzi-la; mas não não me apeteceu. Talvez a traduza mais tarde. Talvez…

(Here’s an) Old Irish prayer (to think about)…

Take time to work,

It’s the price of success.

Take time to think,

It’s the source of power.

Take time to play,

It’s the secret of perpetual youth.

Take time to read,

It’s the foundation of wisdom.

Take time to be friendly,

It’s the road to happiness.

Take time to dream,

It’s the way to reach the stars.

Take time to love and be loved,

It’s the privilege of the gods.

Take time to share,

Life is too short to be selfish.

Take time to laugh,

Laughter is the music of the soul.

(unknown author)

Quanto mal pode fazer um só vocábulo aparentemente insignificante e oito miseráveis letras? Sim, 3 miseráveis consoantes, 5 miseráveis vogais e 1 estúpido dum acento chinês?!

 

VOU RISCAR-TE AGORA!
QUERO RISCAR-TE!
SIM, RISCAR-TE-EI!


Não quero que estas linhas sejam lidas por ninguém. Não quero que alguém perceba que te adorei dias sem fim, que fui uma estúpida ingénua, uma idiota demorada e uma parvalhona imbecil por acreditar em ti… e no teu amor-sem-fim por mim.

Odeio-te, A-Z. Abomino-te α-Ω.
Magoaste-me tanto.
Pisaste-me a Alma.
Amarrotaste-me o Coração.
Esmagaste-me o Ser.

Quero rasgar todas as páginas da minha vida contigo.

Quero riscar todos os dias, todas as tardes, todas as noites, todas as auroras e madrugadas que passámos juntos.

Quero amachucar os recados e os post-it ridículos que me deixaste.

Quero apagar as viagens que fizémos juntos até ao ifinito, todos os objectivos que tracei contigo, a tua voz cálida e picante, todos os projectos que tínhamos delineado, os teus beijos salivados, a tua imagem inocente e pueril, os teus olhares doces, o calor do teu abraço, o teu alento, o teu desejo, as tuas vontades súbitas de entrega total, o desejo ardente do teu corpo, as tuas carícias intermináveis, o teu Amor…

Deixaria tudo por ti. Burra!
Faria tudo outra vez. Tola!
Amar-te-ia até ao fim. Ingénua!
Mas agora quero ir. Mas agora não quero que voltes.
Por que te ausentaste?
Por que me declaraste intenções vãs?
Por que me aleijaste* a alma?
Porque é que teve que ser assim?
E… porque é que é tão difícil RISCAR-TE da minha vida?

Seria bom se fosse tudo tão fácil como riscar estas linhas. Se não estivesse a teclá-las, não seriam linhas mas borrões provocados pelas gotas que me escorrem pela face. Que ironia, esta. Se a vida fosse escrita a lápis, tudo se resumiria a apagá-la com uma borracha. Mas a vida agora é teclada, é escrita num blog… e os posts não se apagam.

Como não posso apagar, risco.
Risco, mas não te risco a ti.
Que nervos! Que raiva! Odeio-te!

E, apesar de tentar riscar-te da minha existência, continuas aqui, por detrás de riscos continuados, que são apenas remendos patchwork da minha memória.

Claro que a vida não acaba aqui. Ela continua. E eu também; mais forte.

Não mereces nem a minha dor, nem a minha preocupação, nem o seu sofrimento.

Odeio-te. Amo-te. Odeio-te. Adoro-te. Quero-te. Desejo-te.
Não. Odeio-te.

*aleijaste-me?

BLAUHAI*
Ups!
Não.
Corrijo;
BLAUHAI
*

FEL!CIDADE ou INFEL?CIDADE!?

A FELICIDADE vive da exclamação!

Exclamam-se…

Sensações
Vivências
Amores
Emoções
Desejos
Experiências
Paixões…

A INFELICIDADE vive da interrogação!?

Interrogam-se…

As gentes
As vontades
As atitudes
Os feitos
O mundo…
E até a própria vida!

Os que exclamam, vivem!
E os que interrogam, saberão viver?!

BLAUHAI*

O desafio está incompleto.
Melhor ainda.
Melhor que SEXO, só…

 

A música, quando é intensa.

A arte, quando é extravagante.

O cinema, quando é profundo.

A literatura, quando é sublime.

A religião, quando é divina.

 

A dança, quando é agitada.

A conquista, quando é atribulada.

 

O desejo, quando é escaldante.

A paixão, quando é frenética.

 

A bebida, quando é ardente.

 

A comida, quando é exótica e picante.

O Amor, quando é eterno…

Afinal, parece que (até) há coisas que nos fazem vibrar tanto como uma escaldante noite de… amor (ou sexo?!).

Haverá algo melhor que SEXO? Melhor que SEXO, só mesmo SEXO combinado com música intensa, com cinema profundo, com paixão frenética, com Amor eterno… e com a vida!

BLAUHAI*

 

O desafio é ambicioso. Sinto-o ávido de respostas.

Surge aos meus olhos com um sentido de quase-masculinidade que não me deixa o pensamento imune.

As respostas são de gaja feminina. Se alguém o ler, poderá pensar que é um hino ao non-sense. Mas não…

O melhor é mesmo
arregaçar as mangas e pôr mãos à obra.
O que sair daqui, assim ficará.

 

E assim, a pergunta impõe-se: Será que é possível haver algo melhor que SEXO?

Mas… algo melhor que SEXO? Mas, isso existe?!
Claro que (até) existe.
Parece que, afinal, (até) há coisas que nos dão satisfação idêntica.
E talvez o SEXO não seja tudo…

E assim, melhor que SEXO, só….

Estar rosadamente apaixonada…
Caminhar descalça na areia…
Sentir que sou amada…

Desfilar numas sandálias prateadas…
Ver o meu clube ganhar por 3-0…
Conquistar emoções verdadeiramente fortes…
Mergulhar nua numa praia deserta…
Experimentar fechar os olhos e sorrir…
Ouvir o Unintended dos Muse…
Devorar uma taça de frutos bem vermelhos…
Vencer desafios aparentemente inatingíveis…
Sentir um abraço doce e forte…
Pedir um desejo a uma estrela-do-céu…
Descobrir uma estrela-do-mar à deriva…
Surpreender-me com a vida…
Amar eternamente a vida e o mundo à minha volta…?!

Pelos vistos, há tantas coisas (aparentemente simples) que nos preenchem a Alma e o Ser, que nos recheiam o Coração, que nos invadem a Mentee que nos fazem vibrar tanto como uma manhã nebulada, uma tarde chuvosa ou uma noite quente… de Sexo!

E a pergunta mantém-se:
Haverá (ou não) algo melhor que SEXO?

 

Talvez haja. Claro que (até) há.

Melhor do que SEXO de manhã, à tarde ou à noite, melhor do que na cama, em cima da mesa, no chão ou na banheira… só nos resta mesmo o SEXO pleno de Amor e Desejo sempiternos

BLAUHAI*

 

Neste Verão, tão calorosamente infernal e pegajosamente crepuscular, que só agora teima em dar a real cara, os romances mal vividos diluem-se como semi-frios de framboesa esquecidos entre conversas e novidades relatadas entre amigos ou em família nas animadas tardes de Domingo.
Nos corações plenos de paixões, os extremos da nossa humana representação amorosa tocam-se: os cautelosos amor e o ódio circulam pela direita, de mãos dadas, quase-inseparáveis, não fossem eles sustentados pelo desejo. O amor quer continuidade; o ódio não deixa. É o querer muito e a indecisão que habita o não querer. A culpa é do Setembro, que se lembrou de aparecer qual Primavera revolucionária. O mês tenta a custo dar ares de estação incipiente e doce. Começa um ciclo que não terminou, porque não se completou ainda, por si mesmo. Nunca se completa totalmente. Funde-se com o que há-de vir…
Ao amor e ao ódio, o desejo não os abandona; não. O Agosto acaba, mas o Verão e o desejo não. O desejo está no centro do duelo entre o love e o hate. Por esses espaços mundanos, os corações e as mentes conversadoras perguntam-se: o desejo, um privilégio? Diz-se que sim e diz-se que não. Conclui-se que não, não é. Seria, se não tivesse tantas irregularidades como adversárias: a distância, o tempo, as mudanças…
Amor e ódio convergem no apreço pela coerência. O amor aprecia a coerência entre as palavras ditas e os actos sentidos; o ódio cultiva a coerência do raciocínio lógico. O amor vive da emoção e o ódio da razão. Como a indecisão paira, o coração contenta-se com o “é possível porque sim” e o “não é possível porque não“. Pouco haverá a fazer.
E no final, não há ódio nem amor. Há e haverá desejo…

BLAUHAI*